A Índia pode assumir um papel estratégico no aprofundamento da cooperação entre os países do BRICS em áreas consideradas fundamentais para o desenvolvimento econômico e tecnológico. Entre os setores com maior potencial estão energia, tecnologia espacial, conectividade digital, agricultura e gestão de recursos hídricos.
A avaliação é de Subba Rao Pavuluri, presidente da SIA-India, que destacou, em entrevista à TV BRICS, a capacidade dos integrantes do grupo de compartilhar conhecimentos, experiências e soluções tecnológicas.
Energia e inovação estão entre as prioridades
Durante a presidência indiana do BRICS em 2026, a cooperação energética ganhou espaço entre as principais áreas de interesse do bloco. Para Pavuluri, a combinação entre sustentabilidade, inovação e inteligência artificial pode abrir novas possibilidades para projetos conjuntos.
Uma das propostas apresentadas pelo especialista é a criação de um Centro de Excelência Digital do BRICS voltado ao desenvolvimento de redes inteligentes, sistemas de distribuição e tecnologias para armazenamento de energia.
A iniciativa poderia estimular a integração entre conhecimento tecnológico e infraestrutura energética, além de favorecer projetos conjuntos entre os países membros.
Experiência espacial da Índia pode beneficiar o bloco
Outro setor apontado como estratégico é o espacial. A Índia possui experiência relevante no uso de satélites para observação da Terra, tecnologia que pode ser aplicada em diferentes áreas econômicas e ambientais.
Segundo Pavuluri, o compartilhamento desse conhecimento poderia beneficiar outros integrantes do BRICS, inclusive países africanos. Sistemas de observação por satélite podem contribuir para o acompanhamento de territórios, planejamento agrícola, monitoramento ambiental e gestão de recursos naturais.
A cooperação espacial, dessa forma, poderia deixar de ser restrita ao desenvolvimento tecnológico e passar a apoiar diretamente políticas públicas e projetos de desenvolvimento.
Conectividade digital ganha importância
A expansão da infraestrutura digital também aparece como uma das frentes com maior potencial de integração dentro do grupo. A experiência indiana em serviços digitais e conectividade por satélite é apontada como um possível diferencial para ampliar o intercâmbio tecnológico entre os países.
A utilização de soluções baseadas em satélites pode ajudar a levar conectividade a regiões de difícil acesso e criar novas oportunidades para serviços digitais, educação, comunicação e atividades econômicas.
Para o especialista, o avanço nessa área pode contribuir para aproximar os países do BRICS e criar uma infraestrutura tecnológica mais integrada.
Agricultura e recursos hídricos
Além de energia, espaço e tecnologia digital, a Índia também pode compartilhar experiências nas áreas de agricultura e gestão da água.
A troca de conhecimento nesses setores ganha relevância diante dos desafios relacionados à segurança alimentar, disponibilidade de recursos hídricos e necessidade de ampliar a eficiência produtiva.
A proposta é utilizar a experiência acumulada pelos diferentes integrantes do BRICS para desenvolver soluções adaptadas às características de cada país.
Comércio e investimentos também estão no centro da agenda
Pavuluri destacou ainda que o fortalecimento do comércio e dos investimentos entre os membros permanece como uma das principais oportunidades para o BRICS.
Além da circulação de mercadorias e capitais, o grupo busca ampliar mecanismos capazes de facilitar operações financeiras entre seus integrantes. A maior integração pode reduzir obstáculos às transações e estimular novos negócios entre empresas dos países participantes.
Nesse cenário, a cooperação tecnológica aparece como um dos instrumentos para transformar o potencial econômico do BRICS em projetos concretos.
A combinação de energia, inovação, espaço, conectividade, agricultura e gestão hídrica pode ampliar a agenda de cooperação e fortalecer a capacidade dos países do bloco de desenvolver soluções próprias para desafios comuns.









