O presidente da China, Xi Jinping, apresentou uma proposta de quatro pontos para a construção de uma nova arquitetura de segurança no Oriente Médio. A iniciativa foi anunciada durante uma reunião com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, realizada nesta quarta-feira (2), no Cairo.

A proposta chinesa parte de uma visão de segurança considerada comum, abrangente, cooperativa e sustentável. Segundo Xi, os próprios países do Oriente Médio devem desempenhar papel central na definição dos mecanismos destinados a garantir estabilidade e segurança na região.

Xi defende protagonismo dos países do Oriente Médio

O primeiro ponto apresentado pelo líder chinês é o fortalecimento da capacidade dos próprios países da região de construir uma segurança comum.

Xi afirmou que os povos do Oriente Médio devem permanecer responsáveis por seus próprios assuntos e defendeu a rejeição de interferências externas. A China, segundo ele, está disposta a apoiar o diálogo regional sobre paz e segurança e a discussão de uma nova estrutura de segurança.

A proposta também prevê o fortalecimento das relações de boa vizinhança entre os países da região, com o objetivo de criar condições para ampliar a confiança e reduzir tensões.

China defende abordagem integrada para os conflitos

O segundo eixo da proposta chinesa está relacionado à necessidade de tratar os diferentes conflitos e crises do Oriente Médio de maneira integrada.

Xi argumentou que os diversos pontos de tensão existentes na região estão interligados e, por isso, não podem ser tratados isoladamente. Na avaliação chinesa, soluções abrangentes são necessárias para enfrentar as causas dos conflitos e criar condições para uma estabilidade duradoura.

O presidente chinês também destacou que a questão palestina permanece no centro da problemática do Oriente Médio e não deve ser ignorada ou colocada em segundo plano.

Desenvolvimento é apontado como base da segurança

Outro elemento central da proposta é a relação entre desenvolvimento econômico e estabilidade.

Xi afirmou que a segurança duradoura do Oriente Médio depende fundamentalmente de condições de desenvolvimento. Para a China, a cooperação econômica pode contribuir para aproximar os interesses dos países da região e criar incentivos para a manutenção da paz.

Nesse contexto, Pequim manifestou disposição para trabalhar com os países do Oriente Médio em iniciativas de desenvolvimento, além de apoiar a segurança das rotas marítimas internacionais.

A proposta inclui ainda o fortalecimento gradual da confiança entre os países e a busca por medidas capazes de eliminar fatores que alimentam os conflitos.

China pede maior coordenação internacional

O quarto ponto apresentado por Xi envolve a atuação da comunidade internacional.

O presidente chinês defendeu que a Carta das Nações Unidas e o direito internacional sejam utilizados como bases para tratar das questões relacionadas ao Oriente Médio. Também pediu que as potências externas abandonem o que classificou como padrões duplos na abordagem dos conflitos da região.

Segundo Xi, a soberania e a integridade territorial dos países do Oriente Médio devem ser respeitadas. O líder chinês também defendeu que as Nações Unidas tenham um papel efetivo nos assuntos regionais.

Egito apoia coordenação com a China

El-Sisi afirmou que o Egito valoriza a posição chinesa sobre os conflitos do Oriente Médio, classificando a postura de Pequim como consistente, objetiva e imparcial.

O presidente egípcio afirmou que seu país trabalha para reduzir as tensões, buscar soluções políticas para conflitos e divergências e avançar na construção de condições de segurança e desenvolvimento na região.

Segundo El-Sisi, o Egito pretende continuar aprofundando a coordenação com a China para contribuir com a redução das tensões e discutir uma possível arquitetura regional de segurança.

Relação China-Egito ganha novo impulso

A discussão sobre segurança regional ocorreu durante uma visita de Estado de Xi ao Egito, que também marcou os 70 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países.

Além da agenda política, China e Egito assinaram mais de 20 documentos de cooperação durante a visita, abrangendo áreas como economia digital, ciência e tecnologia, educação e transportes. Também foram firmados acordos relacionados à cooperação no âmbito da Iniciativa do Cinturão e Rota, inteligência artificial, comércio e cadeias industriais e de abastecimento.

A aproximação reforça a posição do Egito como um importante parceiro da China no mundo árabe e no continente africano, ao mesmo tempo em que amplia o espaço de atuação diplomática de Pequim no Oriente Médio.

Proposta chinesa mira estabilidade de longo prazo

Os quatro pontos apresentados por Xi combinam segurança regional, desenvolvimento econômico, respeito à soberania e maior coordenação internacional.

A iniciativa ocorre em um cenário marcado por múltiplos conflitos e tensões no Oriente Médio. Para Pequim, a construção de uma estrutura de segurança regional deve envolver diretamente os países da região e priorizar diálogo, desenvolvimento e soluções políticas.

A China também busca se posicionar como uma defensora da negociação e da cooperação multilateral, reforçando o papel das Nações Unidas e do direito internacional na resolução das crises do Oriente Médio.