Eleito prefeito aos 23 anos e reeleito com mais de 82% dos votos válidos, Igor Santos construiu uma trajetória política marcada pela juventude, formação acadêmica e experiência à frente do Executivo municipal
Quando Igor Santos venceu pela primeira vez a eleição para a Prefeitura de Paracatu, em 2020, tinha apenas 23 anos. A idade naturalmente chamou atenção. Quatro anos depois, porém, o dado mais relevante já não era sua juventude, mas o resultado das urnas.
Em 2024, depois de cumprir o primeiro mandato, Igor voltou a disputar a prefeitura e recebeu 40.976 votos, o equivalente a 82,34% dos votos válidos. O resultado deu a ele um segundo mandato e mostrou uma mudança importante em relação à primeira eleição: dessa vez, o eleitor já conhecia sua forma de administrar.
A trajetória é curta quando medida em anos, mas intensa para alguém que ainda não chegou aos 30. Administrar uma cidade como Paracatu colocou o jovem político diante de questões que fazem parte do cotidiano de qualquer gestor público: saúde, educação, infraestrutura, habitação, geração de empregos e a necessidade de fazer o orçamento chegar às demandas da população.
Antes da política, Igor investiu na formação. Graduou-se em Relações Econômicas Internacionais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ampliou os estudos nas áreas de gestão e inovação, com experiências acadêmicas na Espanha e no Chile.
É uma formação que ajuda a explicar uma característica presente em sua atuação pública: a preocupação em relacionar administração municipal e desenvolvimento econômico.
Paracatu tem uma ligação histórica com a mineração e, ao mesmo tempo, convive com o desafio de ampliar outras atividades econômicas. Pensar no futuro de uma cidade com esse perfil exige olhar para além de um mandato e discutir como gerar emprego, atrair investimentos e preparar o município para as próximas décadas.
Na prefeitura, Igor também teve de lidar com a parte menos visível da política: fazer projetos saírem do papel.
No início do segundo mandato, anunciou um programa municipal para a construção de 400 moradias. Educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico também estiveram entre os temas presentes na administração.
Mas talvez o maior patrimônio político construído nesses anos seja a experiência de governar.
De Paracatu para um debate maior
A passagem pelo Executivo municipal colocou Igor Santos em contato direto com uma dificuldade conhecida pelos prefeitos brasileiros: boa parte das decisões e dos recursos necessários aos municípios passa por Brasília.
É nesse ponto que sua trajetória começa a ultrapassar os limites de Paracatu.
O Noroeste de Minas reúne municípios com forte presença do agronegócio, da mineração e de outras atividades produtivas. Ao mesmo tempo, a região convive com demandas por infraestrutura, investimentos e maior presença nas decisões nacionais.
É nesse cenário que o nome de Igor Santos passa a ser associado à possibilidade de ampliar a representação política regional.
Sua juventude chama atenção, mas não é suficiente para explicar sua ascensão.
A votação recebida na reeleição ajuda a dimensionar o espaço que conquistou em Paracatu. Passar de uma primeira vitória aos 23 anos para mais de 82% dos votos válidos quatro anos depois indica que Igor conseguiu ampliar significativamente sua base política no município.
Agora, o desafio é outro.
Uma geração que quer espaço
Há uma cobrança por novos quadros na política brasileira. Mas renovação não significa apenas trocar nomes ou reduzir a idade média dos representantes.
O Congresso toma decisões que chegam diretamente aos municípios — da destinação de recursos para saúde e infraestrutura às políticas de desenvolvimento regional. Nesse aspecto, a experiência de quem já esteve à frente de uma prefeitura pode trazer uma perspectiva diferente para Brasília.
Igor Santos conhece essa realidade do outro lado da mesa. Já precisou administrar orçamento, estabelecer prioridades e buscar recursos para atender às demandas de uma cidade.
Sua formação acadêmica acrescenta outro componente. Relações econômicas, gestão e inovação são áreas ligadas a temas cada vez mais presentes no debate nacional, como competitividade, atração de investimentos, tecnologia e desenvolvimento regional.
É nessa combinação entre formação e experiência administrativa que está um dos principais elementos de sua trajetória.
Não se trata apenas de ser jovem. Trata-se de chegar jovem depois de já ter governado.
Aos 29 anos, Igor Santos deixou de ser apenas o jovem que surpreendeu ao conquistar uma prefeitura aos 23. Depois de duas eleições municipais e anos de administração, seu nome ultrapassou as fronteiras de Paracatu e passou a integrar uma discussão maior sobre o futuro político do Noroeste Mineiro.
Para uma região que busca ampliar sua voz nas decisões nacionais, Igor Santos surge como uma das possibilidades de representação.
Paracatu foi o começo. O próximo capítulo será escrito nas urnas.









