O Ministério das Relações Exteriores alcançou um marco histórico em 2026 ao registrar o maior percentual de mulheres aprovadas no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD). O resultado foi divulgado em meio às celebrações do Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia, comemorado em 24 de junho, e evidencia os avanços das políticas voltadas à promoção da igualdade de gênero no serviço exterior brasileiro.

Segundo os dados oficiais, as mulheres ocuparão 27 das 60 vagas oferecidas nesta edição do concurso, o equivalente a 45% do total de aprovados. O índice representa um crescimento expressivo em relação à média histórica da seleção, que durante décadas permaneceu em torno de 21%.

O resultado também marca o terceiro ano consecutivo de aumento na participação feminina entre os aprovados, refletindo os efeitos das medidas implementadas pelo Itamaraty para ampliar a diversidade no acesso à carreira diplomática.

Entre as iniciativas adotadas está uma ação afirmativa criada no âmbito do Programa Federal de Ações Afirmativas, instituído pelo Decreto nº 11.785/2023. A medida passou a ser aplicada a partir de 2024 e prevê a convocação de um número adicional de candidatas aprovadas na primeira etapa do concurso para participarem das provas discursivas da fase seguinte.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, onze das mulheres aprovadas nesta edição foram beneficiadas por esse mecanismo, que busca ampliar as oportunidades de ingresso feminino em uma das carreiras mais tradicionais da administração pública federal.

Os dados divulgados também evidenciam avanços em outros aspectos relacionados à representatividade. Entre as candidatas aprovadas estão oito mulheres negras, incluindo uma candidata quilombola, além de três mulheres com deficiência, reforçando a ampliação da diversidade entre os futuros integrantes do corpo diplomático brasileiro.

Especialistas em gestão pública e políticas de inclusão destacam que a presença de profissionais com diferentes trajetórias e experiências contribui para o fortalecimento das instituições e para a construção de uma diplomacia mais representativa da sociedade brasileira.

A carreira diplomática desempenha papel estratégico na formulação e execução da política externa do país, sendo responsável pela representação do Brasil em organismos internacionais, negociações multilaterais, relações bilaterais e promoção dos interesses nacionais no exterior.

Ao celebrar o resultado, o Itamaraty reafirmou seu compromisso com a promoção da igualdade de gênero, da inclusão e da diversidade dentro da instituição. O ministério destacou que o fortalecimento da participação feminina na diplomacia brasileira está alinhado às iniciativas voltadas à construção de um serviço público mais plural e representativo.

O desempenho alcançado em 2026 representa um passo importante para ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão da política externa brasileira e consolida uma tendência de transformação gradual no perfil dos profissionais que ingressam na carreira diplomática.