O governo brasileiro está articulando a venda de petróleo ao Japão, um dos países mais impactados pelo fechamento do estreito de Hormuz em meio ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. A iniciativa tem sido conduzida pelo Ministério das Relações Exteriores e conta com a participação da Petrobras nas negociações.
Durante missão oficial a Tóquio, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, esteve acompanhado de um executivo da Petrobras para dar continuidade a tratativas iniciadas antes da viagem. Segundo fontes do Itamaraty, enquanto o chanceler atuou na abertura de canais diplomáticos e institucionais, o representante da estatal ficou responsável pelos aspectos técnicos da negociação.
Uma das reuniões ocorreu em 18 de maio e contou com a presença de Ryosei Akazawa, responsável pela área de Economia, Comércio e Indústria do governo japonês. Mauro Vieira também se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, durante a primeira edição do diálogo estratégico entre as chancelarias dos dois países, além de manter encontro com o ministro da Agricultura, Silvicultura e Pesca, Norikazu Suzuki.
De acordo com comunicados divulgados pelo governo japonês, a reunião entre Vieira e Akazawa teve como foco o fortalecimento das relações econômicas, especialmente nos setores de recursos naturais e energia. Já no encontro com Motegi, foi destacado que o Brasil está preparado para dialogar de forma construtiva sobre a aquisição de petróleo bruto brasileiro pelo Japão.
Interesse asiático no petróleo brasileiro
A movimentação diplomática ocorre em um contexto de crescente interesse de países asiáticos pelo petróleo brasileiro. Em março, durante reunião preparatória para a cúpula do G7 realizada na França, Mauro Vieira também se encontrou com o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, e com o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Cho Hyun. Na ocasião, representantes dos dois países manifestaram interesse em negociar a compra de petróleo produzido no Brasil.
Japão busca alternativas de abastecimento
O interesse japonês está diretamente relacionado aos impactos provocados pelo fechamento do estreito de Hormuz. Segundo dados do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, cerca de 90% do petróleo que chega ao país passa pela rota marítima afetada pela crise.
A dependência japonesa do Oriente Médio é significativa. Dados da Associação de Petróleo do Japão apontam que aproximadamente 96% do petróleo bruto consumido pelo país tem origem em nações da região.
Diante da interrupção do fluxo de petróleo, a primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou, em março, a liberação de reservas estratégicas nacionais e de estoques mantidos em cooperação com países produtores. A medida foi adotada diante da expectativa de forte redução das importações, cenário que acabou se confirmando.
Em abril, as importações japonesas de petróleo registraram queda de cerca de 61% em relação ao mês anterior e de aproximadamente 66% na comparação com o mesmo período do ano passado. As compras provenientes do Oriente Médio recuaram 68% no mesmo período.
Impactos no mercado de energia
A redução da oferta provocou aumento nos preços dos combustíveis no Japão, levando o governo a adotar subsídios emergenciais para conter os valores da gasolina, do diesel, do querosene e do óleo pesado.
O fechamento do estreito de Hormuz também contribuiu para a alta dos preços internacionais do petróleo e do gás natural liquefeito, afetando especialmente as economias asiáticas, que dependem fortemente dos carregamentos que transitam pela região.
Nesse cenário, o Brasil surge como uma alternativa potencial para diversificar o abastecimento energético japonês, ao mesmo tempo em que amplia sua presença em mercados estratégicos da Ásia.









