As relações comerciais entre o Brasil e a China seguem se fortalecendo e avançam para novos mercados e produtos no setor agropecuário. Desde 2008, os chineses ocupam a posição de principais compradores do agronegócio brasileiro, com o Brasil respondendo atualmente por cerca de um quarto de todas as importações agrícolas feitas pelo país asiático.

Segundo Daniel Furlan Amaral, economista-chefe da Abiove, a parceria entre os dois países vai além da relação comercial.

“Trata-se de uma cooperação estratégica que envolve negócios, tecnologia, intercâmbio de conhecimento e inúmeras oportunidades de crescimento conjunto”, destacou durante o 4º Congresso Brasileiro do Milho, realizado em Brasília.

Durante o evento, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, reforçou a importância da parceria bilateral, especialmente no comércio de alimentos, considerado essencial para a segurança alimentar chinesa.

Segundo o diplomata, a segurança alimentar é uma prioridade estratégica para Pequim, sobretudo diante das projeções de crescimento econômico e da expansão da classe média chinesa.

“A demanda por alimentos continuará aumentando. Nossa expectativa é dobrar a renda per capita da população até 2035 e ampliar significativamente o número de consumidores de classe média, o que elevará a exigência por alimentos de maior qualidade, incluindo grãos, proteínas, frutas e vegetais”, afirmou.

Sorgo brasileiro ganha espaço no mercado chinês

Entre os produtos agrícolas brasileiros que devem ganhar destaque nas exportações para a China está o sorgo, cultura que vem ampliando sua relevância dentro do agronegócio nacional.

Em 2024, os dois países assinaram os protocolos fitossanitários necessários para o comércio do produto. Já em 2025, a China autorizou oficialmente a importação do sorgo brasileiro. Como resultado, apenas em janeiro de 2026 os embarques já somaram 25,8 mil toneladas.

Para Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, o potencial de crescimento é significativo.

“O Brasil já é o segundo maior produtor mundial de sorgo. Hoje temos três empresas autorizadas a exportar para a China, além de outras cem aguardando aprovação. Com esse avanço regulatório, as exportações devem crescer rapidamente”, explicou.

Além da demanda externa, o sorgo também tem ganhado espaço no mercado interno, sendo utilizado na produção de etanol e DDG (grãos secos de destilaria). A cultura é vista como uma alternativa estratégica para produtores, especialmente por sua maior resistência à seca e menor custo de produção quando comparada ao milho.

Biotecnologia ainda é desafio para ampliar exportações

Apesar do avanço nas negociações, um dos principais entraves para acelerar ainda mais os embarques agrícolas brasileiros para a China continua sendo a regulação de biotecnologias.

O setor produtivo brasileiro busca uma maior convergência regulatória entre os dois países para destravar a aprovação de novas tecnologias já disponíveis no mercado nacional.

Segundo Glauber Silveira, diretor executivo da Abramilho, o Brasil avançou rapidamente em inovação agrícola, mas enfrenta limitações devido ao ritmo de aprovação internacional.

“O desenvolvimento biotecnológico no Brasil está à frente de muitos mercados, mas diversas soluções prontas ainda aguardam validação da China para poderem ser comercializadas. É fundamental acelerar esse processo para atender à demanda crescente”, afirmou.

Com o fortalecimento das relações bilaterais e a abertura gradual de novos mercados, o agronegócio brasileiro consolida sua posição estratégica no abastecimento alimentar chinês e amplia oportunidades em segmentos cada vez mais diversificados