
De 16 a 21 de março de 2026, o Palais d’Iéna, sede do Conselho Econômico, Social e Ambiental da França (CESE), recebe a exposição Brasília — Da Utopia à Capital, sob curadoria de Danielle Athayde. Uma das mais relevantes e completas mostras internacionais dedicadas à história, à arquitetura e à dimensão simbólica da capital do Brasil será exibida em curta temporada no icônico Palais d’Iéna.
A exposição, que conta com apoio institucional da Embratur, apresenta as ideias, os personagens e os percursos históricos que levaram à criação de Brasília, inaugurada em 1960, e que a transformaram numa síntese emblemática do pensamento modernista brasileiro. Concebida como uma obra de arte completa, a nova capital representou uma etapa decisiva do processo de interiorização do poder público no país, até então concentrado no litoral atlântico, e tornou-se um dos mais importantes experimentos urbanos do século XX.
O projeto, que conta com o apoio institucional da Embratur, é composto por um acervo de cerca de 300 obras de arte e documentos históricos, a mostra reúne maquetes de edifícios icônicos projetados por Oscar Niemeyer; desenhos e a maquete fotográfica do plano piloto de Lucio Costa; esculturas de Maria Martins, Bruno Giorgi e Alfredo Ceschiatti; além de fotografias históricas de Marcel Gautherot, Peter Scheier, Jean Manzon, Mário Fontenelle e Orlando Brito, entre outros nomes centrais do modernismo brasileiro.
O conjunto estabelece um diálogo com o pensamento moderno internacional, especialmente com os princípios de Le Corbusier, fundamentais para a concepção urbanística de Brasília; e com a obra de Auguste Perret, referência no uso estrutural e expressivo do concreto armado. Entre os destaques, uma curiosidade rara: o perfume Brasília nº 1, idealizado por Madame Tommaso, fundadora da Carven, Paris, em homenagem à nova capital do Brasil.
As obras provêm de importantes coleções públicas e privadas, como o Instituto Moreira Salles, o Arquivo Público do Distrito Federal e a Coleção Brasília — Acervo Izolete e Domício Pereira.
Uma epopeia modernista
A transferência da capital do Brasil para o Planalto Central, no início da década de 1960, desencadeou um amplo movimento social e simbólico. Milhares de trabalhadores, sobretudo vindos do Nordeste brasileiro, deslocaram-se para o centro do país movidos pelo desejo de participar da construção de uma nova cidade, sede do governo federal.
O cerrado brasileiro, bioma de horizonte infinito e terra vermelha, transformou-se num gigantesco canteiro de obras. Núcleos provisórios como a Cidade Livre chegaram a abrigar mais de 30 mil trabalhadores, os chamados candangos, responsáveis por erguer Brasília em apenas 3 anos e 10 meses.
Esses trabalhadores, em grande parte oriundos das camadas populares, dominaram in loco as técnicas do concreto aparente, material-símbolo do modernismo brasileiro, cuja execução não admite erros nem retoques. Ao contemplar hoje as curvas perfeitas do Plano Piloto, os pilares do Palácio da Alvorada e os arcos monumentais do Palácio do Itamaraty, observa-se também a excelência artesanal dos candangos, protagonistas anônimos dessa epopeia urbana.
O Plano Piloto
Um dos destaques da exposição é a grande maquete de Brasília de autoria do arquiteto Antônio José de Oliveira, concebida especialmente para esta exposição a partir de imagens de satélite em alta resolução. Com 6 m x 4,80 m na escala 1:3500, a maquete apresenta a área delimitada pelo Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, a Torre de TV Digital, a Barragem do Lago Paranoá e a Rodoviária do Plano Piloto, permitindo ao público uma leitura clara e didática da concepção urbanística de Lucio Costa.
Arte, arquitetura e comissionamentos
Brasília foi pensada como um verdadeiro museu a céu aberto. Durante sua construção, um grupo de artistas foi especialmente comissionado para integrar arte e arquitetura, entre os quais:
Athos Bulcão, com painéis de azulejos e fachadas emblemáticas;
Marianne Peretti, autora dos vitrais da Catedral Metropolitana;
Alfredo Ceschiatti, escultor dos anjos da Catedral;
Roberto Burle Marx, responsável pelos principais projetos paisagísticos da cidade.
Algumas dessas obras e estudos são exibidas em Paris pela primeira vez, incluindo peças raras da Coleção Brasília — Acervo Izolete e Domício Pereira, como, por exemplo, o estudo para a escultura O Rito do Ritmo, de Maria Martins, primeira escultura pública da capital, instalada no Palácio da Alvorada; e obras emblemáticas de Bruno Giorgi, como Catavento, precursora da escultura Meteoro, localizada no espelho d’água do Palácio Itamaraty, e Os Guerreiros, símbolo de identidade dos candangos.
Coleção Brasília — Acervo Izolete e Domício Pereira
Formado por dois pioneiros que residiram em Brasília desde 1959, o Acervo Izolete e Domício Pereira, cuja marca é assinada pelo urbanista Lucio Costa, autor do Plano Piloto de Brasília, constitui um conjunto único de obras, documentos e objetos ligados à fundação da capital e ao Brasil, desde seu descobrimento. O acervo é gerido pelo historiador Cláudio Pereira.
O casal atuou diretamente no Governo Federal e na Novacap, empresa responsável pela construção da cidade, reunindo um patrimônio artístico e histórico singular da estética modernista brasileira dos anos 1950 e 1960.
Curadoria e produção contemporânea
Além do núcleo histórico, a curadoria de Danielle Athayde propõe um diálogo com a produção contemporânea, com obras comissionadas de artistas como Alex Flemming, Naura Timm, Carlos Bracher, Darlan Rosa, Sanagê, Tarciso Viriato, Júlia dos Santos Baptista, Lui Rodrigues, José Maciel, Pedro Alvim e Paris Bogéa, que refletem sobre a permanência simbólica, social e política de Brasília no imaginário brasileiro.
A exposição — resultado de extensa pesquisa internacional realizada pela curadora na Fundação Ortega y Gasset, em Madri — já circulou por 15 capitais internacionais, incluindo Buenos Aires, Nova Delhi, Lisboa, Berlim, Londres, Moscou e Roma, tendo sido vista por mais de 400 mil pessoas.
Mostra de Cinema Brasília Viva
19 a 20 de março de 2026 | Maison du Brésil – Paris | Entrada gratuita
A programação inclui uma mostra de documentários de média e longa-metragem com a temática Brasília, hoje o terceiro maior polo audiovisual do Brasil e sede do tradicional Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Os filmes abordam temas como a fundação da cidade, a trajetória de Juscelino Kubitschek e acontecimentos políticos recentes que marcaram a história contemporânea do país
VIK MUNIZ — ARTE NO CAOS
19/03/2026 – 19h
Direção: Jimi Figueiredo
Duração: 40 minutos
2023
Sinopse:
Vik Muniz, artista plástico brasileiro consagrado internacionalmente, enfrenta um desafio: construir uma obra a partir dos destroços dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Vidros quebrados, bombas de gás lacrimogêneo e muita paciência e criatividade nos levam a refletir sobre a importância da construção e reconstrução de uma democracia.
JK, O FUTURO CHAMADO AO PRESENTE
20/03/2026 – 19h
Direção: Fábio Chateaubriand
Duração: 90 minutos
2024
Sinopse:
Documentário pop em ritmo de podcast que narra a história de Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil e fundador de Brasília, desde seu nascimento até sua morte trágica — e jamais esclarecida. É um pedaço da história do Brasil, cujos ecos ainda reverberam pelo país.
Conferências no Palais d’Iéna
Arquiteturas Utópicas de Auguste Perret e Oscar Niemeyer
18/03/2026 – 10h às 12h
Conferência dedicada à análise comparada de dois grandes mestres da arquitetura moderna, refletindo sobre suas contribuições estéticas, técnicas e simbólicas para a construção das cidades do século XX.
Catálogo Digital
A exposição conta com um catálogo digital bilíngue (francês-português) que reúne textos, imagens e extenso memorial documental, disponível para download em
Informações Gerais
Exposição: Brasília – Da Utopia à Capital
Local: Palais d’Iéna 9 Place d’Iéna 75775– Paris, França
Período: 16 a 21 de março de 2026
Curadoria: Danielle Athayde
Entrada gratuita – 09:00 às 19:00h
Mostra de Cinema “Brasília Viva”
Local: Fondation Maison du Brésil – Cité Internationale Universitaire de Paris – 7L bd Jourdan 75014 Paris
Período: 19 e 20 de março de 2026
Entrada gratuita 19:00h
Conferência Arquiteturas Utópicas de Auguste Perret e de Oscar Niemeyer
Local: Palais d’Iéna 9 Place d’Iéna 75775– Paris, França – Sala 301
Data: 18 de março de 2026
Horário: 10:00 às 12:00h
Entrada gratuita mediante inscrição prévia









