A agricultura regenerativa desenvolvida no Mato Grosso do Sul vem ganhando reconhecimento internacional como um modelo capaz de combinar alta produtividade com responsabilidade ambiental e viabilidade econômica. Essa abordagem foi apresentada ao público europeu durante um encontro internacional realizado na Alemanha, reunindo especialistas e produtores de diferentes regiões do mundo para discutir o futuro da produção agrícola diante dos desafios climáticos e econômicos globais.

Representando o Brasil e a agricultura tropical, o vice-presidente da Aprosoja/MS, Andre Dobashi, destacou que o modelo brasileiro vai além da simples preservação ambiental. Ele enfatizou que a proposta regenerativa se baseia na recuperação de áreas degradadas e na construção de sistemas produtivos mais resilientes, capazes de restaurar a fertilidade do solo, aumentar a biodiversidade e, ao mesmo tempo, elevar a eficiência produtiva.

O evento, promovido pela Bayer, contou também com a participação de representantes da União Europeia e dos Estados Unidos, permitindo uma comparação entre diferentes modelos agrícolas. O sistema norte-americano foi destacado por sua forte adoção de tecnologias digitais, gestão estruturada e uso intensivo de biotecnologia. Já o modelo europeu chamou atenção pela organização produtiva e pelo foco na gestão de recursos humanos e na coordenação eficiente das atividades agrícolas.

O diferencial brasileiro, no entanto, está na capacidade de integrar tecnologia, manejo técnico avançado e práticas regenerativas que promovem a captura de carbono no solo. Esse processo não apenas contribui para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, mas também melhora a qualidade do solo e aumenta sua capacidade produtiva ao longo do tempo.

Segundo Dobashi, o Brasil possui uma vantagem estratégica significativa devido às condições climáticas favoráveis e à experiência acumulada na agricultura tropical. A adoção de práticas regenerativas tem permitido transformar áreas anteriormente improdutivas em regiões altamente eficientes, demonstrando que é possível produzir mais sem ampliar a área cultivada.

Esse reconhecimento internacional reforça o papel do Brasil como um dos principais protagonistas no debate sobre o futuro da agricultura. O modelo regenerativo apresentado mostra que sustentabilidade e rentabilidade não são objetivos opostos, mas sim complementares. Ao investir em inovação, tecnologia e manejo responsável, o país demonstra que é possível construir um sistema agrícola mais equilibrado, competitivo e preparado para atender às demandas globais por alimentos de forma sustentável