A Força Aérea de Autodefesa do Japão iniciou oficialmente a operação doméstica de seus primeiros caças F-35B Lightning II, marcando uma inflexão estratégica relevante na postura de defesa do país. A cerimônia ocorreu na Base Aérea de Nyutabaru, localizada na província de Miyazaki, consolidando a introdução da variante STOVL (Short Take-Off and Vertical Landing) no território japonês.
A incorporação do F-35B integra um amplo plano de modernização aprovado pelo governo japonês no final da década passada, que prevê a aquisição de 147 aeronaves da família F-35, das quais 42 pertencem à versão STOVL. A escolha reflete a necessidade de ampliar a flexibilidade operacional, permitindo dispersão de meios aéreos em pistas curtas, bases avançadas e plataformas navais adaptadas — fator crucial em cenários onde infraestruturas convencionais possam ser rapidamente neutralizadas.
O posicionamento dos F-35B na ilha de Kyushu possui forte componente geoestratégico. A proximidade com as ilhas Ryukyu e o Mar da China Oriental oferece maior capacidade de resposta a crises regionais, além de fortalecer a interoperabilidade com os Estados Unidos em operações voltadas à defesa de ilhas remotas.
Um dos pilares do programa é a capacidade de operar a partir dos navios da classe Izumo, como o JS Izumo e o JS Kaga, que passam por modificações estruturais para suportar aeronaves de asa fixa. As adaptações incluem reforço do convés e aplicação de materiais resistentes ao calor gerado durante pousos verticais, permitindo que o Japão recupere, ainda que indiretamente, uma capacidade de aviação embarcada que não exercia desde o pós-Segunda Guerra Mundial.
O primeiro F-35B japonês foi concluído nos Estados Unidos, onde permaneceu para treinamento de pilotos e testes operacionais, inclusive ensaios embarcados. As aeronaves destinadas ao serviço doméstico começaram a chegar em 2025, formando o núcleo inicial em Nyutabaru.
O Ministério da Defesa planeja expandir gradualmente a frota até o final da década, com a criação de novas unidades dedicadas à variante STOVL. Paralelamente, a futura base aérea de Mageshima deverá tornar-se o principal centro de treinamento para operações embarcadas e pousos verticais, embora o projeto enfrente atrasos e só deva ser concluído por volta de 2030.
Apesar de desafios logísticos e debates locais relacionados ao ruído das operações STOVL, autoridades japonesas consideram o F-35B elemento central da estratégia de dissuasão nacional. A combinação de furtividade, sensores avançados e conectividade em rede amplia a resiliência da força aérea, garantindo capacidade de continuidade operacional mesmo sob ataques a infraestruturas principais.
Com a entrada em serviço dos primeiros F-35B, o Japão inaugura uma nova fase de integração entre operações terrestres e navais, fortalecendo sua capacidade de mobilidade, dispersão e resposta rápida no Pacífico Ocidental — movimento que reforça seu papel como ator-chave na arquitetura de segurança do Indo-Pacífico









