O programa Exporta Mais Brasil, coordenado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), encerrou 2025 como um dos principais instrumentos de internacionalização da economia brasileira. Com números recordes, a iniciativa alcançou o maior volume anual de sua história, confirmando a consolidação de um modelo que aproxima empresas nacionais de compradores internacionais sem que os empresários precisem sair do país.

Somente em 2025, o programa realizou 14 edições, promoveu 5.313 reuniões de negócios e reuniu 688 empresas brasileiras com 166 compradores estrangeiros de 52 países. O resultado foi a geração de R$ 386,7 milhões em expectativa de negócios. Desde o lançamento, em 2023, o Exporta Mais Brasil já acumula R$ 940,2 milhões em expectativas comerciais, aproximando-se da marca simbólica de R$ 1 bilhão.

Para o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, os números refletem a maturidade da iniciativa e sua capacidade de atender empresas de diferentes portes e regiões. O formato, baseado em rodadas presenciais no Brasil com compradores internacionais selecionados, tem se mostrado eficiente ao reduzir custos, riscos e barreiras de entrada para quem deseja exportar.

Ao longo de três anos, o programa realizou 42 edições, conectou 1.563 empresas brasileiras a 471 compradores de 76 países e viabilizou mais de 11 mil reuniões comerciais. O diferencial, segundo a diretoria da Agência, está no suporte técnico especializado e na curadoria dos encontros, o que aumenta a confiança e a efetividade das negociações.

Alcance nacional e diversidade produtiva

Em 2025, o Exporta Mais Brasil contemplou empresas de todos os estados brasileiros e ampliou significativamente sua diversidade setorial. Participaram rodadas voltadas para moda, confecções, e-commerce, frutas frescas, alimentos e bebidas, tecnologia da informação, setor náutico, máquinas agrícolas, cafés especiais e cooperativas, entre outros segmentos.

Ao longo dos últimos anos, o programa também abriu espaço para setores como artesanato, moda praia, calçados, produtos lácteos, cacau e chocolate, mel e própolis, manejo florestal sustentável, revestimentos cerâmicos e até a indústria audiovisual. Essa abrangência tem sido fundamental para democratizar o acesso ao comércio exterior e ampliar a base exportadora brasileira.

Casos como o da Toca da Onça Specialty Coffee ilustram o impacto prático da iniciativa. A empresa participou de edições dedicadas a cafés especiais em diferentes estados e de uma rodada exclusiva para produtoras mulheres. A possibilidade de apresentar o produto a compradores internacionais no próprio país facilitou o início de relações comerciais e ampliou a visibilidade da marca no exterior.

Cooperativismo e inclusão produtiva

Uma das edições mais emblemáticas de 2025 foi a rodada dedicada às cooperativas, realizada em Salvador. O evento reuniu quase 200 cooperativas brasileiras e contou com a presença de 30 compradores internacionais de 21 países. O resultado imediato foi de US$ 7,2 milhões em expectativas de negócios, com projeção de alcançar até R$ 40 milhões em 12 meses.

No mesmo evento, ApexBrasil e Sebrae lançaram o programa Cooperar para Exportar, voltado especialmente às cooperativas da agricultura familiar. A iniciativa prevê atender 450 cooperativas em 2026, com ações de capacitação, qualificação e inserção em feiras e missões internacionais. A estratégia reforça o papel do cooperativismo como vetor de inclusão econômica e desenvolvimento regional.

Para cooperativas como a Cooperapis, do norte de Goiás, a participação representou o primeiro contato concreto com o mercado internacional. O interesse de compradores africanos pelo mel orgânico produzido pela entidade demonstra o potencial de produtos brasileiros de base familiar e sustentável no comércio global.

Amazônia como ativo estratégico

O Exporta Mais Amazônia, braço do programa voltado à bioeconomia e às cadeias produtivas compatíveis com a floresta, consolidou-se como uma das iniciativas mais relevantes da ApexBrasil. A edição realizada em Rio Branco reuniu compradores de 18 países e empresas de setores como açaí, castanha-do-Brasil, café amazônico, carnes, frutas processadas e artesanato.

Com US$ 17,8 milhões em expectativa de negócios apenas nessa edição, o programa já movimentou mais de R$ 100 milhões desde sua criação. A proposta de aliar exportação, conservação ambiental e fortalecimento de comunidades locais tem ampliado o interesse internacional por produtos amazônicos e reforçado o papel da região na agenda de desenvolvimento sustentável do país.

Agenda para 2026

Para 2026, a ApexBrasil planeja ampliar ainda mais o alcance do Exporta Mais Brasil. As primeiras oito edições já estão programadas até maio e contemplarão setores como utilidades domésticas, alimentos industrializados, frutas frescas, pulses, alimentos e bebidas para varejo e indústria da construção.

O avanço do programa sinaliza uma mudança estrutural na política de promoção comercial do Brasil. Ao reduzir barreiras, ampliar a diversidade produtiva e aproximar empresas brasileiras de mercados globais, o Exporta Mais Brasil se firma como uma ferramenta estratégica para a competitividade internacional do país e para a geração de oportunidades econômicas sustentáveis