Após permanecer fechado por 12 anos e enfrentar um prolongado impasse judicial, o Torre Palace finalmente terá um novo desfecho. O edifício será implodido no dia 21 de dezembro para dar lugar a um novo empreendimento hoteleiro. O horário da operação ainda não foi divulgado, e a implosão ficará a cargo da empresa RVS Construções.

Inativo desde 2013, o imóvel foi adquirido recentemente por um grupo econômico do setor hoteleiro. Até o momento, os novos proprietários não se pronunciaram oficialmente sobre os planos para o terreno. No entanto, em outubro, um conselheiro do grupo adiantou à TV Globo alguns detalhes do projeto.

Segundo Marcos Cumagai, a proposta prevê a construção de um hotel de luxo com cerca de 250 apartamentos, além da instalação de um restaurante com padrão Michelin e um spa internacional. A iniciativa, de acordo com ele, busca fortalecer o turismo de Brasília.

Um “sonho antigo”

Considerado o primeiro hotel de luxo da história da capital federal, o Torre Palace já foi símbolo de sofisticação, mas ao longo dos anos passou a representar disputas familiares, batalhas judiciais e um problema recorrente para o poder público.

Apesar da perda de prestígio, o local sempre esteve no radar dos novos investidores devido à sua localização estratégica. Cumagai afirma que a aquisição do imóvel era um desejo antigo do grupo, mas que tentativas anteriores esbarraram em entraves jurídicos, dívidas e outras pendências. Segundo ele, somente nos últimos um ano e meio foi possível conduzir uma negociação mais efetiva.

De acordo com o porta-voz do grupo, as tratativas com os herdeiros duraram cerca de 18 meses e envolveram, além da compra do imóvel, a quitação de todas as dívidas acumuladas pelo antigo hotel.

Do luxo ao abandono

O Torre Palace funcionou por aproximadamente 40 anos e entrou em decadência após a morte de seu fundador, o empresário libanês Jibran El-Hadj, no início dos anos 2000. Com o falecimento do patriarca, a esposa e os seis filhos herdaram o patrimônio, então avaliado em cerca de R$ 200 milhões.

Divergências entre os herdeiros sobre o futuro do empreendimento levaram, em 2007, à saída de três filhos da sociedade e ao início de uma disputa judicial pela partilha da herança, estimada em R$ 51 milhões. O valor seria obtido com a venda do hotel para uma construtora, que chegou a adiantar R$ 17 milhões aos herdeiros que permaneceram na sociedade. No entanto, antes da conclusão da venda, o imóvel foi penhorado pela Justiça.

Em 2013, o hotel encerrou definitivamente suas atividades. Dois anos depois, em completo estado de abandono, o prédio passou a ser ocupado por usuários de drogas e pessoas em situação de rua. O local sofreu diversos atos de vandalismo, incluindo vidros quebrados, pichações e danos à fachada.

Em 2016, o Governo do Distrito Federal realizou uma operação de desocupação que retirou todos os invasores do prédio. A ação durou cerca de 40 minutos e mobilizou aproximadamente 200 agentes do Batalhão de Choque e do Bope, além do uso de helicópteros, balas de borracha e bombas de efeito moral. O custo da operação foi de R$ 802,94 mil, valor que não foi recuperado e que seria posteriormente cobrado dos proprietários na Justiça.

Mesmo assim, entraves burocráticos mantiveram o imóvel em um chamado “limbo jurídico”, impedindo sua restauração, venda ou demolição.

Tentativas frustradas

Em setembro deste ano, o governo voltou a acionar a Justiça para obter autorização para a demolição do que restava do hotel. Um pedido semelhante já havia sido feito em 2019, mas foi negado. À época, a Justiça determinou que os herdeiros realizassem a manutenção do prédio, o que, segundo o GDF, não ocorreu.

Em 2020, o Torre Palace foi levado a leilão, com valor inicial de R$ 35 milhões. Após seis dias de pregão eletrônico, não houve interessados. A venda havia sido determinada pela Justiça do Trabalho, com o objetivo de quitar dívidas trabalhistas de ex-funcionários.

Uma segunda tentativa ocorreu em dezembro de 2020, quando o imóvel foi arrematado por R$ 17,6 milhões pela empresa RBS Administração de Imóveis LTDA. Posteriormente, contudo, a empresa solicitou a desistência do negócio, pedido que foi aceito pela Justiça.