Parlamentares de oposição no Distrito Federal se movimentam para que seja instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa para investigar a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

A comissão teria prazo de 180 dias e seria composta por cinco distritais. O objetivo é investigar a transação que foi barrada pelo Banco Central em setembro.

O pedido pela CPI ocorre após operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira (18) mirar dirigentes das duas instituições financeiras.

Um dos requerimentos é assinado pela deputada Paula Belmonte (Cidadania) e endereçado ao presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB).

Outro documento é assinado pelo bloco PSOL-PT na Casa. Seis parlamentares assinam o documento também endereçado a Wellington Luiz. São eles:

  • Chico Vigilante (PT)
  • Fábio Felix (PSOL)
  • Dayse Amarílio (PSB)
  • Gabriel Magno (PT)
  • Max Maciel (PSOL)
  • Ricardo do Vale (PT)

Os requerimentos precisam recolher ao menos oito assinaturas, número equivalente a um terço da Casa, para que sejam apresentados formalmente à Mesa Diretora da CLDF.

g1 tenta contato com o presidente da CLDF, Wellington Luiz, e aguarda retorno.

Rollemberg pede CPI na Câmara dos Deputados

Durante a sessão plenária desta terça-feira, o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), vice-líder do partido, pediu aos parlamentares assinaturas para a instauração de uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar as relações do Banco Master com o BRB e com o crime organizado.

Rollemberg classificou a operação como “o maior escândalo de corrupção do país”.

“Essa CPI também vai demonstrar os laços políticos que, muitas vezes, fizeram com que o senhor Daniel Vocaro chegasse onde chegou. Ele não chegou lá por mérito próprio; chegou por conivência do poder público e de agentes públicos. Nós queremos ir até as últimas consequências”, disse o deputado.

Operação da PF

 

Operação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta terça-feira (18) mirou dirigentes dos bancos BRB e Master. A chamada Operação Compliance Zero, mira a venda de títulos de crédito falsos.

Até a manhã desta terça:

  • Foram cumpridos seis mandados de prisão (quatro preventivas e duas temporárias);
  • Bloqueio de R$ 12,2 bilhões em contas dos investigados;
  • Apreensão de carros de luxoobras de arte e relógios;
  • Apreensão de R$ 1,6 milhões em espécie.

 

O Banco Master emitia CDBs com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. Esse retorno, contudo, era irreal. Segundo a PF, o esquema pode ter movimentado R$ 12 bilhões.

A operação prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outros quatro diretores da instituição.

Já o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo após decisão judicial. O diretor-executivo de finanças e controladoria do banco, Dario Oswaldo Garcia Junior, também foi afastado do posto.

Banco BRB

O Banco de Brasília S.A. (BRB) foi criado em dezembro de 1964 com o objetivo de ser um agente financeiro para captar os recursos necessários para o desenvolvimento do Distrito Federal.

Em 1991, passou a ser um banco com as carteiras: comercial, câmbio, desenvolvimento e imobiliária.

A empresa é uma sociedade de economia mista, de capital aberto, e o acionista majoritário é o Governo do Distrito Federal (71,92%).

O BRB é uma instituição financeira com atuação no Distrito Federal e com agências no Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Paraíba.