Pesquisa ONU mostra confiança no multilateralismo para enfrentar desafios globais

  • A grande maioria das pessoas confia no multilateralismo para enfrentar os desafios globais. Este é o principal resultado de uma pesquisa feita ao longo de um ano pelas Nações Unidas.
  • A iniciativa UN75 foi lançada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para entender os desejos e receios do público global para o futuro, assim como as expectativas e ideias para cooperação internacional e, em particular, para a ONU.
  • Mais de 1,5 milhão de pessoas de 195 países participaram através de pesquisas e diálogos.
  • Lançado para marcar o aniversário de 75 anos da Organização, o exercício foi o esforço mais ambicioso da ONU até agora para reunir contribuições do público global e a maior pesquisa sobre as prioridades para a recuperação da pandemia da COVID-19.
Ilustração para o UN75 Brasil mostra os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Ilustração para o UN75 Brasil mostra os 17 Objetivos de Desenvolvimento SustentávelFoto | Ivan Ciro Palomino

A grande maioria das pessoas confia no multilateralismo para enfrentar os desafios globais. Este é o principal resultado de uma pesquisa feita ao longo de um ano pelas Nações Unidas.

A iniciativa UN75 foi lançada em janeiro do ano passado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para entender os desejos e receios do público global para o futuro, assim como as expectativas e ideias para cooperação internacional e, em particular, para a ONU. Mais de 1,5 milhão de pessoas de 195 países participaram da campanha através de pesquisas e diálogos.

“A consulta global UN75 mostrou que 97% dos consultados apoiam a cooperação internacional para enfrentar os desafios globais”, afirmou Guterres. “Isto representa um forte comprometimento com o multilateralismo e com a missão das Nações Unidas. Agora é conosco – estados-membros e o Secretariado da ONU – para atingir às expectativas das pessoas que servimos”, ele acrescentou.

Lançado para marcar o aniversário de 75 anos da Organização, o exercício foi o esforço mais ambicioso da ONU até agora para reunir contribuições do público global e a maior pesquisa sobre as prioridades para a recuperação da pandemia da COVID-19.

Desafios de curto prazo – Com a pandemia do coronavírus revertendo o progresso do desenvolvimento humano e aumentando as desigualdades, muitos entrevistados priorizaram o acesso a serviços básicos e o apoio a comunidades e lugares mais afetados no curto prazo. A prioridade global mais imediata indicada foi o acesso universal a cuidados em saúde, de acordo com os resultados.

Além disso, dado o impacto da crise global nas crianças e na educação, mais investimentos em educação e programas para a juventude foram considerados prioritários entre os consultados, particularmente na África subsaariana e central e no sudeste da Ásia.

Desafios de longo prazo –  Enquanto as pessoas esperam que o acesso aos serviços de saúde melhore nos próximos 25 anos, os consultados em todas as regiões identificaram mudanças climáticas e assuntos ambientais como o principal desafio no longo prazo. A região de América Latina e Caribe contou com a maior quantidade de pessoas selecionando esta resposta – 73%.

Outras prioridades de longo prazo variam de acordo com o nível de renda, mas incluem preocupação crescente com oportunidades de emprego, respeito pelos direitos humanos e redução de conflitos.

As pessoas de países com maior índice desenvolvimento humano deram maior prioridade ao meio ambiente e direitos humanos, enquanto os respondentes de países com menor índice de desenvolvimento humano elencaram como maiores prioridades redução de conflitos e alcance de necessidades básicas, como emprego, saúde e educação.

Apesar de todas as preocupações, 49% dos entrevistados acreditam que as pessoas estarão em situação melhor em 2045, contra 32% que acham que a situação estará pior.

O papel da ONU – Os resultados mostram que muitos consultados também veem as Nações Unidas para liderar a cooperação internacional e abordar desafios imediatos e de longo prazo, com muitos também pedindo que a Organização inove – seja mais inclusiva, engajada, confiável e efetiva.

Em pesquisas e diálogos UN75 conduzidos ao redor do mundo, os participantes pediram a liderança moral da ONU; um Conselho de Segurança reformado, representativo e ágil; um Sistema ONU inclusivo e participativo, com melhor compreensão do trabalho da Organização entre os cidadãos ao redor do mundo e que mostre mais cuidado com as necessidades das pessoas.

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.