Índia aplica mais de 1 bilhão de doses de vacinas contra a COVID-19 (21 de outubro de 2021)

Em uma conquista histórica, no dia 21 de outubro de 2021 o número de doses de vacinas contra a COVID-19 aplicadas na Índia ultrapassou a marca de 1 bilhão. Nesta ocasião também parabenizamos o Governo do Brasil na sua bem-sucedida campanha de vacinação e aplicação de mais de 262 milhões de doses.

1. Campanha de vacinação da Índia:

Em 16 de janeiro de 2021, a Índia iniciou a aplicação de vacinas contra a COVID-19. Desde 21 de junho de 2021, o Governo da Índia tem adquirido vacinas para todos os Estados e Territórios da União e está fornecendo vacinas contra a COVID-19 de forma gratuita a todos os cidadãos indianos acima de 18 anos de idade. A Índia está atualmente utilizando a Covishield do Serum Institute of India (SII), a Covaxin da Bharat Biotech e a Sputnik V em seu programa de imunização.

2. Fornecimento de vacinas contra a COVID-19 para outros países:

i. Até 29 de maio de 2021, a Índia forneceu mais de 66 milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 para 95 países, incluindo 4 milhões para o Brasil entre janeiro e fevereiro de 2021. Sob a iniciativa ‘Quad (Índia, EUA, Japão, Austrália) Vaccine Cooperation’, a Índia planeja aumentar a produção de vacinas contra a COVID-19 em cerca de 1 bilhão de doses até o final de 2022.

ii. A Índia é um grande contribuinte à COVAX Facility e forneceu cerca de 20 milhões de vacinas contra a COVID-19 à iniciativa (em 29 de maio de 2021). Em fevereiro de 2021, o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, elogiou o fornecimento indiano das vacinas contra a COVID-19 para a COVAX. Ele agradeceu à Índia e ao primeiro-ministro Narendra Modi por apoiarem a equidade de vacinas. Ele acrescentou que o compromisso da Índia com a COVAX e com o compartilhamento das doses de vacina contra a COVID-19 ajudou 60 países a começarem a vacinar seus profissionais de saúde e outros grupos prioritários. Ele espera que outros países sigam o exemplo da Índia. Mostrando apreço pelos esforços da Índia, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, em fevereiro de 2021, disse que “Na verdade, a Índia tem sido um líder global nos esforços de resposta à pandemia, tendo fornecido medicamentos essenciais, kits de diagnóstico, ventiladores e equipamentos de proteção individual para mais de 150 países. Os esforços da Índia no desenvolvimento e fabricação de uma das duas vacinas atualmente com a Lista de Uso de Emergência da Organização Mundial da Saúde trazem um suprimento muito necessário para o mercado global de vacinas. Também elogio os esforços contínuos da Índia para apoiar e fortalecer a COVAX Facility para garantir um acesso mais equitativo às vacinas. ”

3. Principais produtores indianos de vacinas: AÍndia é a casa dos principais produtores mundiais de vacinas. Os detalhes são os seguintes:

A. Serum Institute of India (SII) (Covishield): O Serum Institute of India (SII) é o maior fabricante mundial de vacinas em volume de doses produzidas e vendidas globalmente. O SII fabrica vacinas contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, sarampo, caxumba e rubéola, e envia, anualmente, mais de 1,6 bilhão de doses de vacina a preços acessíveis. Estima-se que cerca de 65% das crianças no mundo recebam pelo menos uma vacina fabricada pelo SII. Suas vacinas são usadas em cerca de 170 países para programas nacionais de imunização, salvando milhões de vidas em todo o mundo. O SII está aumentando sua capacidade total de fabricação de vacinas de 1,6 bilhão de doses por ano atualmente para mais de 2,3 bilhões de doses de vacinas. O SII aumentou a produção de vacinas COVID-19 para 100 milhões por mês em agosto de 2021. Mais de 885 milhões de doses de Covishield já foram aplicadas até 21 de outubro de 2021.

B. Bharat Biotech International Limited (BBIL) (COVAXIN): A BBIL ​​tem um portfólio de 15 vacinas e exporta para 123 países. A empresa também possui 145 patentes e produz vacinas contra hepatite B, rotavírus e febre tifoide, e está desenvolvendo vacinas para doenças virais como chikungunya e Zika. COVAXIN, vacina COVID-19 indígena da Índia pela Bharat Biotech é desenvolvida em colaboração com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR) – Instituto Nacional de Virologia (NIV). A Bharat Biotech está planejando aumentar a capacidade de produção da Covaxin para 1 bilhão de doses por ano até o quarto trimestre de 2021. Mais de 113 milhões de doses de COVAXIN já foram aplicadas até 20 de outubro de 2021.

C. Zydus-Cadila (ZyCoV-D): É uma vacina de DNA plasmodial desenvolvida pela Zydus-Cadila. Em abril de 2021, a produção da vacina ZyCoV-D foi iniciada e Zydus-Cadila tem uma capacidade de produção anual de 240 milhões de doses. Em 20 de agosto de 2021, o regulador de medicamentos da Índia concedeu a aprovação do uso emergencial da vacina contra a COVID-19 da Zydus Cadila, a primeira vacina de DNA contra o coronavírus, para adultos e crianças com 12 anos ou mais.

D. Outros grandes produtores de vacinas na Índia são Panacea Biotec, Sanofi Shantha Biotechnics, Biological E e Hester Biosciences.

E. Outras vacinas candidatas COVID-19 na Índia:

  • Sputnik V: O Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), que está comercializando a vacina, assinou acordos para produzir mais de 750 milhões de doses da vacina com mais seis fabricantes indianos de vacinas.
  • A nova vacina contra a COVID-19 da Biological E: a Biological E baseada em Hyderabad produzirá a vacina desenvolvida pela empresa norte-americana Johnson & Johnson. A Biological E tem uma capacidade potencial de fabricação geral de mais de 1 bilhão de doses por ano, se necessário.
  • BBV154 – vacina intranasal: BBV154 é uma vacina intranasal em desenvolvimento pela Bharat Biotech. Estimula uma ampla resposta imune – neutralizando as respostas de IgG, IgA mucosa e células T. Respostas imunológicas no local da infecção (na mucosa nasal) – essenciais para bloquear a infecção e a transmissão de COVID-19. O ensaio clínico em humanos de fase I está em andamento. 
  • COVOVAX: A farmacêutica norte-americana Novavax assinou acordo com o SII para a produção de 2 bilhões de doses de vacina. O ensaio clínico em humanos de fase 2/3 está em andamento.
  • HGCO19: A primeira vacina de mRNA da Índia está sendo produzida pela Genova, empresa com sede em Pune, em colaboração com a HDT Biotech Corporation, sediada em Seattle, usando pedaços de código genético para causar uma resposta imunológica. O ensaio clínico em humanos de fase I / II está em andamento.

4. Índia: Farmácia do Mundo:

i. A Índia é o maior fornecedor global de medicamentos genéricos. O setor farmacêutico indiano fornece mais de 50% da demanda global por várias vacinas, 40% da demanda de genéricos nos Estados Unidos e 25% de todos os medicamentos no Reino Unido. Globalmente, a Índia ocupa a 3ª posição em termos de produção farmacêutica em volume e 14ª em termos de valor. A indústria farmacêutica nacional inclui uma rede de 3.000 empresas farmacêuticas e cerca de 10.500 unidades de fabricação.

ii. A Índia desfruta de uma posição importante no setor farmacêutico global. O país também possui um grande grupo de cientistas e engenheiros com potencial para elevar a indústria a patamares mais elevados. Atualmente, mais de 80% dos medicamentos antirretrovirais usados ​​globalmente para combater a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) são fornecidos por empresas farmacêuticas indianas.

iii.  O mercado interno deve crescer 3 vezes na próxima década. O mercado farmacêutico doméstico da Índia é estimado em US $ 42 bilhões em 2021 e provavelmente alcançará US$ 65 bilhões em 2024 e se expandirá ainda mais para alcançar de US$120 a US$130 bilhões em 2030. A indústria de biotecnologia da Índia compreende biofarmacêuticos, bioserviços, bioagricultura, bioindústria e bioinformática. A indústria indiana de biotecnologia foi avaliada em US$ 64 bilhões em 2019 e deve atingir US$ 150 bilhões em 2025. O mercado de dispositivos médicos da Índia ficou em US$ 10,36 bilhões no FY20. O mercado deverá crescer a um CAGR (taxa de crescimento anual composta) de 37% de 2020 a 2025 para chegar a US$ 50 bilhões.

iv. As exportações de medicamentos e produtos farmacêuticos da Índia totalizaram US$ 24,44 bilhões no Ano Financeiro de 2020-21. A Índia é o 12 º maior exportador de produtos médicos no mundo. O setor farmacêutico do país contribui com 6,6% do total das exportações de mercadorias.

v. Produção de vacinas na Índia: a Índia é líder mundial em fabricação e fornece 62% da demanda global por vacinas. A Índia tem mais de 12 grandes fábricas que produzem vacinas para 150 países ao redor do mundo. A Índia é líder no fornecimento global de vacinas DPT, BCG e sarampo e a maior produtora mundial de vacina contra hepatite B (recombinante).

5. Cenário Farmacêutico Índia-Brasil:

Cerca de 30% de todo o IFA usado pela indústria farmacêutica brasileira vem da Índia. Quatro em cada cinco medicamentos antirretrovirais que o Brasil compra por meio do Fundo Estratégico da OPAS vêm da Índia. Várias grandes empresas farmacêuticas indianas estão presentes no Brasil e fornecem medicamentos de qualidade a preços acessíveis. No âmbito do BRICS, a Índia e o Brasil estão enfrentando os desafios da saúde, inclusive por meio do desenvolvimento de respostas conjuntas eficazes para a propagação contínua das principais doenças, especialmente a tuberculose.

6. Plataforma Co-Win:

O Governo da Índia criou a plataforma Co-Win, uma plataforma tecnológica que facilita o planejamento, implementação, monitoramento e avaliação da vacinação contra COVID-19 na Índia. A CoWIN é uma plataforma escalável, inclusiva e aberta que atende a todo o sistema de saúde pública. A plataforma está disponível para compartilhamento como Bem Público Aberto e foi oferecida a outros países, incluindo o Brasil, para integração em seu próprio sistema de monitoramento de vacinas.

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.