Entrevista com Romana Dovganyuk- Presidente da Câmara de Comércio Brasil – Irã

Na Semana Passada a Ucrâniana radicada no Brasil , Romana Dovganyuk recebeu em Brasília a Medalha Juscelino Kubitschek. Na passagem pela Capital Federal Romana falou com a Jornalista Fabiana Ceyhan sobre a Medalha e sobre os negócios bilaterais com o Irã.

(  Foto com o  Embaixador do Irã no Brasil)

Romana, por favor conte nos um pouco sobre como foi receber esta medalha e sobre o seu trabalho:

Foi uma grande honra e uma grande surpresa receber a homenagem e medalha  Juscelino Kubitschek e também muita surpresa  ao saber que  o  brasileiro conhecia o trabalho que eu faço entre o Brasil e  outros países . Fiquei muito emocionada, pois foi uma grande surpresa mesmo receber o telefonema, eu nem sabia o que era uma homenagem dessa e também a Câmara do Comercio Brasil e Irã recebeu um  diploma que é muito importante, pois significa que nós  estamos ajudando o relacionamento comercial entre Brasil e Irã . O Brasil sempre manteve relações amistosas com o irã.

Na câmara do comércio eu fiz vários projetos . Eu criei o projeto Esportes Sem Fronteiras, quando voltava do Irã, durante um voo de 15 horas,  a intenção foi proteger as pessoas devido as sanções que o país sofre.Eu visitei o comitê olímpico, o comitê paraolímpico, na época das sanções, antes de começar as olimpíadas no Brasil. Senti  uma grande dor no coração ao ver  pessoas que não podiam transferir dinheiro para pagar hotéis, para  cobrir as  necessidades básicas  de transporte  que os permitissem participar  das olimpíadas. Acho que essas sanções   contra o irã são  desumanas , porque pessoas, crianças não podem comprar insulina, não podem comprar medicamentos, não podem comprar comida, não podem viajar.  Eu acredito que essa sanções não devem ser impostas  dessa maneira, como os Estados Unidos estão colocando.

Por isso eu criei o Projeto Esporte Sem Fronteiras, exatamente para ajudar esportistas do Brasil, esportistas da Síria, esportistas do Irã, de outros países que precisam e que tem necessidades. Não tem nada a ver com política externa, política interna e sim com   um  trabalho humano.

Rússia e Estados Unidos sempre vão brigar como duas potências para mostrar quem é o  mais poderoso, mas quem sofre são pessoas e pessoas tem que  ouvir umas  as  outras , não tem nada a ver com sanções, as crianças tem que crescer, doentes tem que se tratar, os esportistas tem que participar d as competições. Nós temos que viver em paz, não em briga. As pessoas falam que no Irã existem   terroristas, eu posso falar que cada país tem terroristas, até no Rio de Janeiro que é mais inseguro do que no Irã. Temos favelas, temos balas perdidas, temos vários terroristas na favela, então acho que isso é até pior porque você nunca sabe quem pode morrer.

Na viajem eu falo com todos os níveis de pessoas, eu falo com as pessoas na rua, eu falo com crianças, eu falo com os esportistas, com políticos, com lideres religiosos, e eu nunca ouvi que alguém tem uma negatividade um contra o outro. Todo mundo quer viver em paz e isso que nos temos que transferir um ao outro, pessoas tem que saber ouvir e respeitar um ao outro. Atualmente o Brasil e o Irã são parceiros comerciais, mas acabam esbarrando em dificuldades que atrasam o comércio e o crédito de empresas entre os dois países.

 A  presidente da Câmara Brasil-Irã da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Romana Dovganyuk, destaca que ”o Irã é hoje um grande parceiro comercial do Brasil no Oriente Médio. Não faz sentido que os negócios entre empresas iranianas e brasileiras dependam de crédito e da boa vontade de bancos estrangeiros”. Vamos colocar em prática alternativas capazes de sustentar um intercâmbio crescente e mais equilibrado. A Câmara Brasil-Irã está desenvolvendo mais possibilidades de aproximar o comércio e relacionamento entre os dois países.

Medalha

A Medalha Presidente Juscelino Kubitschek, criada pela Lei nº 11.902, de 5 de setembro de 1995, foi entregue pela primeira vez em 1996 e é concedida a personalidades que prestam ou tenham prestado serviços relevantes à sociedade.