Entrevista com a brasileira Mirella Aires, residente em Singapura sobre a situação de combate ao COVID-19 no País

Singapura é um dos países membros da ASEAN

Entrevista Concedida a Jornalista Fabiana Ceyhan


Mirella, explique para os nossos leitores qual a situação geral em relação ao combate ao Covid-19 e como você se sente como brasileira vivendo esta situação fora de sua terra natal?

Desde o início das preocupações aqui em Singapura, pouco antes do ano novo chinês, o governo tem tomados medidas e orientado a população sobre os cuidados a serem tomados como; higienização das mãos, uso de máscaras (naquela época, caso a pessoa tivesse com algum sintoma), mas tudo ainda era novo e o vírus estava começando a ser estudado. Mesmo após ano novo Chinês, os casos ainda eram baixos e a situação controlada

Por volta do mês de março, as medidas foram se intensificando, pois, justo em época de “breaks” escolares e famílias viajando, a Europa iniciou o surto dos casos de COVID-19 que refletiu também por aqui. Neste período Singapura fechou as fronteiras e reduziu ao máximo o número de vôos, os aeroportos só fazem vôos de extrema necessidade, como cargueiros e novas medidas surgiram.

Eu que vivi sempre no Brasil e estou aqui há dois anos, fico ainda encantada com a forma como o governo tem orientado e administrado esta situação, sempre nos passando segurança, confiança e combatendo o pânico que por vezes nos cerca. Além das constantes entrevistas, orientações em outdoors, cartazes pelas ruas, autofalantes no metrô. por meio de um simples cadastro do celular, recebemos diariamente por WhatsApp, boletins nos atualizando sobre os casos e outras informações. Também existe um aplicativo chamado “Trace Together” que, pela localização do celular, informa se estamos muito próximos de algum local que alguém se infectou. Além do aplicativo, temos acesso não só à quantidade de casos, mas aos locais (em mapa) que houveram contaminações e as nacionalidades de cada infectado

No caso de infectados ou pessoas que chegavam de países com o surto, devem manter a quarentena exigida, em casa. A forma de controle nesses casos é por rastreamento da localização e ligações de agentes do governo em diferentes momentos do dia por meio de vídeo para que mostrem o interior de suas residências.  

Fale-nos Sobre o Isolamento Social no país:

Com o aumento de infectados, há aproximadamente uma semana e meia estamos em Isolamento social. Apenas hospitais, mercados, farmácias e transporte público estão em funcionamento. Restaurantes funcionam em sistema de Delivery ou para retirada no local. As pessoas podem até sair de suas casas, mas apenas para o essencial e é obrigatório o uso de mascaras. Também podem sair para atividades físicas (caminhada, corrida, bicicleta…)  contanto que individualmente ou com membros da própria casa, da própria família. Imediatamente após a atividade física, devem colocar as máscaras. 

Fiscalização:

A fiscalização nas ruas é intensa, orientam, mas também multam e executam penalidades conforme anunciado. A primeira multa é de 300 dólares, mas em casos mais graves ou reincidentes, além das multas bem maiores, ainda correm o risco de prisão ou encerramento de vistos como no caso de funcionários de estabelecimentos alimentares que podem sofrer uma multa de 5 mil dólares e perderem seus vistos de trabalho, caso não utilizem a máscara. Aliás, mascaras reutilizáveis, de tecido, estão sendo distribuídas pelo governo a toda a população.

Como a população reage a tudo isso?

É muito respeitosa a forma como a população reage à cada nova regra e ao isolamento social. Claro que talvez existam pessoas que ainda não entenderam a gravidade, mas no geral, o povo respeita e imediatamente responde positivo às recomendações. Não vi ainda qualquer manifestação ou discussão contra as medidas, creio que realmente confiamos que o governo sabe o que está fazendo e fazemos a nossa parte. 

Como você compara esta situação com a do Brasil?

Minha opinião sobre a situação do Brasil me entristece. Estamos vivendo uma pandemia de um vírus altamente contagioso, que tem deixado rastros por onde se instala e muitos ainda aliando as informações e orientações à conspirações políticas, o que tira o foco totalmente da prevenção intensa que deve acontecer para que o vírus não mais se propague e sejam controláveis seus efeitos, de forma que o mais rápido possível, a vida das pessoas volte ao “normal”.

Eu espero que meu Brasil tenha sabedoria para seguir as orientações, que cada família se proteja, cada empresa em funcionamento pense em seus funcionários e nas vidas que convivem com eles e que o governo brasileiro alinhe suas informações e orientações com especialistas, infectologistas, observe os exemplos dos países que passaram por forte epidemia do COVID e como estão conseguindo controlar, e que usem suas forças políticas sim, mas para alocar recursos destinados aos que mais sofrem com a falta de trabalho durante estes dias e aos que padecem nos hospitais.

Mirella Aires Alves, 39 anos, pedagoga, especialista em Musicalização Infantil e Educação Especial. Mora em Singapura há dois anos .

A Pedagoga brasileira Mirella aires residente em Singapura

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.