Confira a Entrevista com o Diplomata Rômulo Neves(ex participante do Big Brother Brasil)

Entrevista concedida a Jornalista Fabiana Ceyhan
Parabenizo o Senhor pela atitude de se candidatar a Deputado Federal , pois sabemos que a sua profissão (Diplomata)  te dá estabilidade e que  a carreira política tem muitos altos e baixos, o que te motiva a se tornar um político no Brasil de hoje?
Obrigado pela consideração. Vários elementos me motivam a disputar o espaço político. Em primeiro lugar, a compreensão de que o debate e as disputas mais importantes são no campo político. Não adianta muito termos ideias inovadoras se não conseguirmos levá-las para dentro do sistema político. É possível tentar convencer políticos, mas a grande maioria faz política apenas reproduzir seus mandatos, então, a primeira motivação é levar novas ideias para esse ambiente. Em segundo lugar, reconheço que é por meio da política que posso ajudar de maneira mais efetiva a construção de um Brasil mais próspero, justo e igualitário. Sou fruto de serviços públicos: consegui ainda estudar em escolas públicas viáveis, usei muito o sistema público de saúde, usei até minha fase adulta transporte público e sei que o poder público tem um papel enorme na vida das pessoas. Gostaria, assim, de ajudar a transformar o Brasil. Em terceiro lugar, sei que tenho articulação, preparo e paciência suficiente para enfrentar o desafio. Assim, considero até que seria um desperdício e, caso fosse religioso, um pecado, não colocar minhas habilidades em prol desse projeto. Tenho experiência nas negociações políticas e sei que tem muita gente boa e valorosa que não teria paciência para enfrentar esse ambiente. É por essas pessoas, também, que coloco minha paciência a serviço de um projeto político.
2- Conte nos um pouco sobre a sua trajetória até se tornar um Diplomata
Sempre pratiquei esporte, mas procedente da classe D, não tinha como investir numa carreira profissional, que sempre demora um pouco para deslanchar, quando deslancha. Assim, comecei a trabalhar cedo, aos 13 anos, quando minha família juntou as poucas reservas e comprou uma banca de jornal. Trabalhei com isso até os 18 anos, quando passei em um concurso público para Técnico Judiciário, ainda em São Paulo. Nesse período, já havia entrado no curso de Ciência do Esporte, na USP, e desistido. Estava cursando Direito, também na USP, mas também desisti, até me encontrar no curso de Ciências Sociais. Me formei, entrei no mestrado em Sociologia e no Jornalismo, na mesma universidade. A partir do segundo ano, deixei o Tribunal onde trabalhava e fui trabalhar como repórter na Folha de São Paulo. Ainda como repórter, trabalhei na Gazeta Mercantil e com o jornalista Luís Nassif, sempre na área de Economia. Em 2005, então, prestei o concurso do Itamaraty e entrei no Instituto Rio Branco. Estou no Ministério até hoje e já morei na Venezula, Suriname e Etiópia, além de ter passado um tempo no Governo local, como Chefe de Gabinete do Governador.
3- Qual o seu partido e  por qual estado brasileiro  será candidato
Sou filiado à Rede Sustentabilidade e pretendo me candidatar no DF, onde resido há 12 anos. Sou pré-candidato a deputado federal, mas isso só pode ser definido depois das convenções partidárias que só ocorrerão no próximo ano.
4- Desculpe me citar a sua profissão mais uma vez , mas é que o  site é voltado para relações internacionais e diplomacia, e todos sabem que passar no concurso que o Senhor passou é  para poucos.Diplomatas são pessoas cultas e que estudaram muito, o Senhor acha que toda esta bagagem cultural pode ajudar na elaboração de projetos de lei e contribuir na carreira política de forma positiva?
Certamente o bom senso é hoje o principal requisito para fazer uma boa legislatura, pois um deputado lida, potencialmente, com todos os temas em discussão no Congresso. Não adianta muito um deputado prometer fazer isso ou aquilo, porque o grosso do seu trabalho na realidade será analisar o que já está em andamento no Congresso e eventualmente propor projetos específicos para a vida da população, mas o alcance do legislativo é muito menor do que o executivo no que se refere à implementação de políticas. A função fiscalizadora do Legislativo precisa ser reforçada, ainda mais em tempo de desmandos e equívocos. Por isso, um dos principais elementos com que trabalho é formas de tornar o sistema político mais transparente, tanto para o Legislativo controlar melhor o Executivo, como para a população controlar melhor seus representantes. Temos tecnologia para isso. Com transparência, vários dos problemas que estamos enfrentando hoje nem chegariam a existir, pois a população iria perceber antes o rumo das coisas. De todo modo, o treinamento em negociação obviamente ajudaria caso eleito, a que eu pudesse ter uma atuação mais eficiente.
por gentileza,fique á vontade para fazer considerações finais.
Minha última mensagem para que estiver lendo essa entrevista é a seguinte: informe-se, pesquise, cobre e monitore os seus candidatos e os deputados eleitos. Escolha bem em quem vai votar. Não há salvador da pátria, sem controle externo a tendência é o sistema se auto alimentar, como está acontecendo atualmente, com os deputados pensando muito mais em seus interesses imediatos do que no interesse coletivo. Você também é responsável pelo que acontece no Parlamento.
Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.