Bangladesh: liderança nos direitos da mulher no Sul da Ásia – Por Ivan Godoy

Por Ivan Godoy

Uma das surpresas à espera de quem chega por primeira vez a Bangladesh é o crescente papel da mulher na sociedade bengali. País majoritariamente muçulmano, ele tem o cargo de primeiro-ministro ocupado por mulheres desde 1991 – com a exceção de um breve período de dois anos. Hoje, a função é desempenhada por Sheik Hasina Wazed, do Partido Liga Awami.

Tem mais: o Parlamento unicameral, ou Jatiyo Shangshad na língua bengali, é presidido por uma mulher, Shirin Sharmin Chaudhury. E a bancada da oposição também é liderada por uma mulher. Por falar no poder legislativo, elas ocupam 71 das 350 cadeiras, ou seja, 20 por cento do total de parlamentares.

Bangladesh vem ocupando já há algum tempo o primeiro lugar em igualdade de gênero entre os países do Sul da Ásia. O país procura estimular a participação feminina não apenas nas atividades políticas, mas também nas socioeconômicas.

A educação ocupa um papel importantíssimo nesse aumento do papel da mulher em todas as esferas. Atualmente, 99,4 por cento das meninas estão estudando no Ensino Básico. Também estão integradas ao Ensino Médio, onde são maioria: 53 por cento.

Maior nível educacional se reflete em posições mais destacadas na sociedade para a população feminina. Por exemplo, no serviço público, passou-se de 227 mil funcionárias em 2009 para 378 mil em 2015, um aumento considerável em apenas seis anos.

Por último, desde a aprovação do Ato contra a Violência Doméstica, em 2010, tem aumentado o combate a esse tipo de crime contra a mulher. Em 2013, foram aprovadas fortes punições contra o casamento de menores de 18 anos. O governo criou um disque-denúncia através dos números 109 e 333.b

Ivan Godoy é jornalista e visitou Bangladesh no mês de Outubro de 2018.