A França retornará as atividades de forma progressiva no dia 11 de maio- Entrevista com o encarregado de negócios da Embaixada da França no Brasil.

Encarregado de negócios da Embaixada da França no Brasil, Gilles Pecassou concedeu entrevista exclusiva a jornalista Fabiana Ceyhan.

Encarregado de negócios da Embaixada da França no Brasil, Gilles Pecassou

1- Qual a situação hoje, na França em relação a COVID-19? Está um pouco melhor?

Sim, a situação está melhorando. Os números registrados pelo setor hospitalar nesses últimos dias indicam uma leve diminuição tanto no número de pessoas hospitalizadas quanto no número de pacientes internados, é uma diminuição lenta mas regular. No entanto, é preciso dar continuidade aos esforços para a contenção da pandemia: foram registrados mais de 120 mil casos de coronavirus e 25 mil mortes na França desde o início da crise.

Em matéria de pesquisa clínica, área na qual a França se destaca por sua excelência, resultados encorajadores estão sendo obtidos, sobretudo no que diz respeito a um tratamento chamado TOCILIZUMAB, que poderia ajudar os pacientes que apresentam os sintomas mais graves da doença. Para que sua eficácia seja confirmada, esses primeiros resultados ainda precisam ser testados.

2- Quais são os planos para a reabertura da economia?

A saída do isolamento, que será realizada de forma progressiva a partir do dia 11 de maio, possibilitará uma retomada parcial das atividades econômicas do país. Paralelamente, a fim de prestar uma assistência a todas as empresas e aos franceses que estão enfrentando o choque econômico e social ligado à crise sanitária, o governo criou um plano econômico de apoio emergencial de 110 bilhões de euros (660 bilhões de reais), no qual: – 42 bilhões visam permitir o adiamento do pagamento de encargos sociais e fiscais pelas empresas, no intuito de reduzir suas despesas imediatas; – 24 bilhões são destinados à viabilização da « atividade parcial », um dispositivo que permite reduzir ou suspender temporariamente a atividade dos trabalhadores, dando-lhes direito a receber uma indenização paga pelo empregador e pelo Estado; – 7 bilhões são destinados ao Fundo de Solidariedade para ajudar empresas de pequeno porte, trabalhadores autônomos, microempreendedores e profissionais liberais particularmente afetados pelas consequências da epidemia de Covid-19; – 20 bilhões de euros foram mobilizados para que o Estado, enquanto acionista, possa prestar apoio financeiro às empresas estratégicas. Além disso, o Estado francês se compromete a garantir 300 bilhões de euros em empréstimos bancários às empresas; no final de abril, 50 bilhões de empréstimos garantidos foram concedidos pelos bancos, empréstimos esses que beneficiaram, em sua grande parte, médias, pequenas e microempresas.

3- Quando o Sr acredita que a França estará aberta novamente para o Turismo?

Por enquanto, viagens na França, tanto para os franceses quanto para os estrangeiros, permanecem restritas para a proteção de todos. Contudo, como enfatizado por nosso presidente, os trabalhadores dos setores da alimentação, hotelaria, turismo e lazer contribuem para a arte de “ser francês”, razão pela qual o governo continuará a lhes dar apoio neste período difícil. Muitas medidas foram tomadas nesse sentido, com destaque para a possibilidade de esses setores, bem como o de eventos e cultura, retomarem parcialmente as atividades. O Fundo de Solidariedade também permanecerá aberto a essas empresas após o mês de maio.

4- Quais são as medidas tomadas pelo governo francês para manter a economia e a saúde da população em segurança?

Como declarou nosso primeiro-ministro em 28 de abril de 2020, o confinamento, em vigor desde o dia 17 de março, foi um instrumento eficaz para conter a epidemia, evitar a saturação de nossa capacidade hospitalar e proteger assim os franceses mais frágeis. No entanto, um confinamento que se prolongue além do tempo estritamente necessário teria consequências gravíssimas. « Proteger, testar, isolar », esse é o lema do plano de saída do confinamento que será aplicado a partir do dia 11 de maio, quando todos os estabelecimentos comerciais, exceto cafés e restaurantes, poderão reabrir, seguindo algumas regras: – O uso de máscaras, que terá seu abastecimento coordenado pelo governo, será recomendado em todas as « situações que implicarem algum tipo de contato », mas obrigatório nos transportes públicos; – A França estabeleceu como objetivo que 700 mil pessoas sejam testadas por semana até o dia 11 de maio.

O teste também poderá ser realizado em qualquer tipo de laboratório, público ou privado, sendo, neste último caso, 100% reembolsado pelo governo; – A retomada da atividade escolar no ensino primário vai ser feita de forma progressiva, a partir do dia 11 de maio e para grupos de 15 alunos, no máximo, por turma. Caberá às famílias autorizar ou não a ida de suas crianças à escola; – Solicita-se às empresas que continuem dando prioridade ao teletrabalho; – As pessoas poderão voltar a circular livremente, sem atestado, contanto que não percorram distâncias superiores a 100 km a partir de seu domicílio. Deslocamentos assim só serão autorizados em caso de urgência familiar ou profissional.

5- Sinta-se á vontade para fazer comentários sobre o assunto.

Desde o início da pandemia, a parceria franco-brasileira tem mostrado sua qualidade e reatividade para encontrar soluções concretas para a crise: – No plano científico, a plataforma Pasteur-USP, nascida da parceria entre o Instituto Pasteur de Paris e a Universidade de São Paulo, redirecionou totalmente seus projetos de pesquisa, ao estudo sobre a Covid-19. Suas pesquisas estão principalmente focadas na melhoria dos métodos de diagnóstico e na elaboração de testes confiáveis e de baixo custo; – No plano financeiro, a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) está em negociação com o governo federal a fim de prestar assistência às populações mais vulneráveis, bem como com vários estados, no intuito de ajudá-los no combate à Covid-19; – Nossos respectivos ministérios das Relações Exteriores se ofereceram ajuda mútua para facilitar a volta ao Brasil dos brasileiros em viagem na França, e o retorno à França dos franceses em viagem no Brasil.

Vários brasileiros puderam então contar com a ajuda da França para voltarem para casa, e isso desde o começo da crise em Wuhan; – Nossos projetos de cooperação estão sendo repensados para incluir o acompanhamento necessário dos nossos parceiros face à crise sanitária, principalmente nas comunidade e localidades mais afetadas; – As autoridades brasileiras e francesas colaboram entre si na gestão de nossa fronteira comum, entre o Amapá e a Guiana Francesa, em particular no que se refere à prevenção da propagação da epidemia e ao tratamento de emergências sanitárias. O trabalho conjunto que temos realizado demonstra, cada dia mais, a solidez da amizade franco-brasileira.

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.