A Embaixada da Argélia e a Universidade de Brasília prestam homenagem ao célebre arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer,

Exposição de fotografias: “Concrete Spring” “Oscar Niemeyer, Argélia e a arquitetura da revolução” A Embaixada da Argélia e a Universidade de Brasília prestam homenagem ao célebre arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, cinco anos depois do seu falecimento, com uma exposição de fotos sobre suas obras na Argélia, de 11 de agosto a 8 de dezembro de 2017, na sua própria casa localizada no Park Way. Esta homenagem coincide com a celebração do 30º aniversário da classificação de Brasília como patrimônio mundial da UNESCO e do 55º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e Argélia, logo após a independência daquele país no dia 5 de julho de 1962. Quando Niemeyer faleceu em 2012, ele foi homenageado no mundo inteiro. Mas dentre todos os elogios aos edifícios das Nações Unidas, à sede do Partido Comunista francês e, claro, a Brasília, algumas de suas obras mais ousadas e politicamente significativas apenas receberam menção. A Argélia pode ser o país onde há a maior concentração de obras de Niemeyer depois do Brasil. Ele realizou quatro obras naquele país. A quinta: a biblioteca árabe-sulamericana, um dos últimos projetos dele no mundo, está em curso de realização. Ele elaborou também uma mesquita colocada sobre o mar, mas infelizmente, esse projeto não foi realizado devido ao falecimento do presidente argelino Houari Boumediene em dezembro de 1978. “O próprio Boumediene, declarou com satisfação, após ter me ouvido: “É uma mesquita revolucionária”, ao que me apressei em lhe responder: “A revolução não deve parar”, o que o fez sorrir”, ele confessou. Vale salientar que os argelinos lutaram pelas armas contra a colonização francesa (1954-1962) numa revolução considerada uma das mais importantes do século 20, pois precipitou o colapso do sistema colonial no mundo. As Obras de Oscar Niemeyer na Argélia – Universidade Mentouri, Constantine, 1971 – Universidade de Ciência e Tecnologia Houari-Boumediene, Argel, 1975 – Escola Politécnica de Arquitetura e Urbanismo, Argel, 1975 – A Sala Omnisport La “cúpula”, Argel, 1975 Em 1968, seis anos após a independência da Argélia, o presidente Houari Boumediene, pediu que Niemeyer – então exilado em Paris – fizesse obras para transformar o país em uma nação moderna e aberta ao mundo. Entre 1968 e 1975, Niemeyer desenhou dois campi universitários extremamente ambiciosos para o Estado em vias de lucro, bem como “la Coupole”, um salão de esportes olímpico independente que serve também para conferências. Niemeyer considerou a Universidade de Mentouri na cidade de Constantine (1969- 1972), “um de seus melhores projetos …”, “Meu projeto está baseado na centralização e flexibilidade; de fato, eu recuso a universidade tradicional, com dezenas de prédios… A universidade que eu proponho é humana, lógica e compacta”, disse ele. A Universidade Houari Boumediene da Ciência e Tecnologia não é menos impressionante. Localizada nos arredores de Argel, suas dezenas de edifícios às vezes angulares, às vezes curvas, empurram o concreto para seus limites escultóricos e até poéticos. Em 2013, Jason Oddy passou o verão investigando este notável legado modernista. Seu objetivo era duplo. Em primeiro lugar, destacar estas obras-primas esquecidas da arquitetura do século XX. Em segundo lugar – e talvez mais criticamente – perguntar como esses lugares que foram projetados para forjar e capacitar a geração pós-colonial da Argélia podem ser relevantes ainda hoje. Com seu movimento lento, sua câmera de grande formato, Jason Oddy mergulhou-se por dias, às vezes semanas, em cada um dos projetos argelinos de Niemeyer. O trabalho preciso e sensível que ele produziu tentou mostrar como tal arquitetura poderia dar forma às pessoas que a habitam. O trabalho de Oddy também procura reinscrever essa arquitetura de esperança num novo contexto diferente daqueles dias pós-revolucionários. Biografia de Jason Oddy O trabalho de Jason Oddy é uma pesquisa de campo. Do Pentágono à Baía de Guantánamo, e dos antigos sanatórios soviéticos às instalações criogênicas na América, ele procura nos levar além dos locais específicos que ele fotografa, às ideias e forças que estão por trás deles. Seu trabalho foi exibido internacionalmente, inclusive na Galeria dos Fotógrafos (Londres), na Galeria Yossi Milo (Nova York) e em Paris Photo. A série Concrete Spring foi exibida recentemente na Trienal de Milão, no Tropenmusem (Amsterdã) e atualmente faz parte da exposição “Made in Algeria, Généalogie d’un territoire” no MuCEM (Marselha). O trabalho de Oddy é realizado numa série de importantes coleções públicas e privadas, incluindo as da Fundação Wellcome, Channel 4, Citibank Private Bank, o Michael Wilson Center For Photography e da coleção Elton John. Jason Oddy virá para Brasília a partir de 6 de agosto de 2017 e vai expor pela primeira vez seu trabalho no Brasil. Ele participara também do seminário internacional dia 11 de agosto de 2017 as 16h00 na Casa Niemeyer junto com o Professor Cláudio Queiroz (FAU-UnB) que participou dos projetos de Niemeyer na Argélia.

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.