Oriente Médio é destaque na atração de capitais, diz FMI

Região do Oriente Médio e Norte da África respondeu por 20% do total atraído pelos mercados financeiros de países emergentes de 2016 a 2018.

 

Oriente Médio e Norte da África são destaques na atração de capitais, diz FMI

Karim Sahib/AFP

Da Redação
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São Paulo – A região do Oriente Médio e Norte da África (Mena, na sigla em inglês) tem se destacado na atração de recursos externos nos últimos anos, segundo artigo publicado nesta quarta-feira (15) no Blog do Fundo Monetário Internacional.

O texto assinado por Jihad Azour, diretor do Departamento do Oriente Médio e Ásia Central do FMI, e Ling Zhu, economista do mesmo departamento, diz que desde a crise financeira internacional de 2008 houve um salto no fluxo de capitais para países emergentes, e no caso das nações do Oriente Médio e Norte da África este fluxo tem se mantido alto em comparação com outras economias em desenvolvimento, mas com uma mudança significativa em sua composição.

A mudança é que houve um crescimento grande dos investimentos estrangeiros nos mercados financeiro e de capitais e, ao mesmo tempo, um declínio nos investimentos estrangeiros diretos, ou seja, aqueles que são destinados ao setor produtivo, aquisição de imóveis etc. O fluxo de recursos para os mercados financeiro e de capitais da região chegou a US$ 155 bilhões de 2016 a 2018, o que representa cerca de 20% do total atraído por países emergentes em geral no mesmo período. O valor é ainda três vezes superior ao que foi direcionado ao bloco Mena nos oito anos anteriores.

Segundo os analistas do FMI, este aumento no movimento de investimentos pela conta financeira é explicado majoritariamente por uma percepção de risco mais favorável no cenário internacional, abaixo da média histórica “Os investimentos em portfólio (ações, títulos etc.) são direcionados principalmente por ‘empurrões’ globais como a percepção de risco do mercado financeiro”, afirma o artigo, que atribui dois terços do crescimento a este fator.

Outros motivos são os volumosos déficits ficais e externos de países como Egito, Jordânia, Líbano e Tunísia, resultados do avanço de gastos públicos; e a redução das receitas com as exportações de petróleo a partir de 2014 em países como Bahrein e Omã. “O fluxo de capitais (estrangeiros) ajudou os governos a financiarem estes déficits”, destaca o Blog do FMI. Além disso, a inclusão dos membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) em índices mundiais de títulos e ações contribuiu para o crescimento do fluxo financeiro para a região. O GCC é formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.

Riscos

O artigo alerta, porém, que os riscos agora estão em alta na economia mundial e a região ficará particularmente vulnerável a uma mudança na percepção de riscos no mercado internacional, principalmente os países que têm déficits fiscais significativos, alto nível de endividamento e pouco espaço de manobra. A região é duas vezes mais sensível a mudanças na percepção do risco do que outras economias emergentes, de acordo com o blog, reflexo de fatores como incertezas geopolíticas, volatilidade dos preços do petróleo e disputas no comércio internacional.

Para evitar abalos sérios no fluxo de dinheiro, a publicação recomenda a adoção de políticas econômicas para preservar a atração de recursos e mitigar os riscos de fugas de capitais, algumas em implementação por países da região. Texto cita como exemplos a intenção do Egito de incorporar um regime de metas de inflação e a flexibilização do câmbio no Marrocos. O FMI, como de costume, insiste também na necessidade de redução de déficits fiscais.

O artigo defende ainda a realização de reformas estruturais para fortalecer o sistema financeiro e a adoção de medidas macroeconômicas para reduzir as vulnerabilidades das economias regionais.

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.