Discurso de IVICA BOCEVSKI, o Embaixador da República da Macedônia, por ocasião da inauguração oficial da Embaixada da República da Macedônia

Discurso de IVICA BOCEVSKI, o Embaixador da República da Macedônia, por ocasião da inauguração oficial da Embaixada da República da Macedônia

Brasília, 12 de dezembro de 2017

Vossa Excelência, Prezado Senhor Presidente da República da Macedónia dr. Gjorge Ivanov,

Vossa Excelência, Prezado Embaixador Marcus Galvão,

Prezados representantes das altas autoridades brasileiras,

Prezados colegas diplomatas do Palácio Itamaraty,

Prezados colegas do corpo diplomático,

Meus queridos compatriotas,

Hoje nos reunimos na Embaixada da República da Macedônia em Brasília para celebrar a inauguração oficial da primeira missão diplomática da Macedônia na América Latina. É uma honra especial que o Presidente Gjorge Ivanov está aqui, cuja ideia foi o conceito de consolidação e expansão da rede diplomática macedônia nos mais importantes centros diplomáticos globais emergentes, um projeto que começa hoje com a abertura desta Embaixada.

A Macedônia eo Brasil têm uma longa história conjunta. O fio macedônio é apenas uma das vertentes do mosaico multicultural brasileiro. Desde o final do século XIX, o Brasil vem dando (e ainda dá) um novo lar aos macedônios que procuram uma vida melhor fora de sua pátria.

O estado macedônio, por outro lado, e o Brasil, se encontraram pela primeira vez na história durante a Segunda Guerra Mundial, quando o exército guerrilheiro macedônio (uma parte independente do exército guerrilheiro iugoslavo) e o exército brasileiro faziam parte da luta mundial antifascista. Ao longo desta luta, nasceu o estado macedônio contemporâneo.

Infelizmente, a unidade dos macedônios, que deu à luz o Estado macedônio, quebrou imediatamente após o fim da luta e após a tomada do poder pelos comunistas macedônios. Então, o Brasil se tornou um dos centros de patriotas macedônios politicamente expulsos que guardavam o sonho e a chama da luta pela independência da Macedônia. Ontem, em São Paulo, o Presidente Ivanov encontrou-se com o Sr. Metodi Kalkashliev, líder intelectual da organização macedônia de São Paulo denominada “Grupo de cinco da Strumica” e um dos lutadores mais ferozes a favor da independência da Macedônia.Durante a Guerra Fria, São Paulo foi um dos centros mais politicamente ativos da diáspora macedônia.

A esquerda macedônia, porém, continuou a construir o estado macedônio dentro da Iugoslávia de Josip Broz Tito. Gostaria de aproveitar a oportunidade para lembrar que a primeira embaixada construída em Brasília foi a embaixada da Iugoslávia, obra do famoso arquiteto macedônio Slavko Brezovski. O próprio Oscar Niemeyer visitou várias vezes o site das construções. Eu sou o primeiro embaixador da República da Macedônia independente no Brasil, mas o terceiro embaixador macedônio no Brasil. Os embaixadores iugoslavos anteriores, nomeados pela Macedônia, foram o Dr. Branko Trpenovski, reitor da Universidade de Skopje e Kole Čašule, um dos mais proeminentes escritores macedônios. Seu filho e meu ex-ministro, Slobodan Čašule, foi o chefe do escritorio da agência de imprensa jugoslava TANJUG no Rio de Janeiro, então, a Macedônia é um dos raros estados dos Balcãs que podem se gabar de ter um lusófono como o ministro de relações exteriores.

O povo macedônio, da pátria e da diáspora, da esquerda e da direita, reuniu-se em 1991 sob a bandeira da independência da Macedônia. Nos anos difíceis no início da independência da Macedônia, anos das últimas guerras dos Balcãs, o Brasil voltou a ajudar a Macedônia. Nós, macedônios, nunca esqueceremos a contribuição brasileira para a primeira missão preventiva das Nações Unidas, denominada UNPREDEP, que permitiu que conflitos iugoslavos não se espalhassem para o território da Macedônia, mas também para alertar a todos, os inimigos da Macedônia bem como os amigos da Macedônia, que a comunidade internacional, personificada nas Nações Unidas, está firmemente por trás da independência da Macedônia. Esperamos que em breve os exércitos da Macedônia e do Brasil, bem como os diplomatas macedônios e brasileiros, sirvam conjuntamente nas missões de paz das Nações Unidas em todo o mundo.

Após uma longa pausa dе 25 anos, a Macedônia está chegando novamente ao Brasil e à América do Sul. A escolha de Brasília como lugar para a primeira Embaixada da Macedônia na região foi muito clara, dado o tamanho (e a beleza) deste país, sua posição central no continente, sua participação nos BRICS e no G-20 e o fato de o Brasil ser um dos países – parceiros estratégicos da EU (O objetivo estratégico da Macedônia é tornar-se membro pleno da União Européia e da OTAN). Em princípio, a Macedônia continuará a apoiar a aspiração do Brasil de obter o estatuto de membro permanente do Conselho de Segurança. O mundo é um lugar muito mais complexo e diversificado do que o Conselho de Segurança reflete, e, portanto, a adesão do Brasil a esse órgão trará uma perspectiva nova, uma perspectiva do Sul Global.

A Macedônia no Brasil vê tambem o seu parceiro na corrida econômica, tecnológica, científica e digital global e a parte central do trabalho desta embaixada será o esforço pela atração de investimentos estrangeiros diretos na Macedônia. Estamos especialmente visando as famosas marcas brasileiras, já estabelecidas nos mercados globais.

Meus queridos amigos,

Devo agradecer aos meus colegas meus colegas do Palácio Itamaraty, e aos colegas do corpo diplomático em Brasília por toda a ajuda, conselhos e sugestões durante o processo de abertura da Embaixada da Macedônia em Brasília. Além disso, nada disso teria sido possível sem o generoso apoio de minha esposa Valentina Popovska, bem como a infinita paciência de nossa filha Jovana Vasilisa Jovanović.

Prezadas senhoras e senhores,

Finalmente, a Macedônia chegou ao Brasil! Finalmente, a Macedônia chegou à América do Sul!

Viva a pátria! Viva o Brasil! Viva a Macedônia!

Jornalista por formação, Professora de Inglês (TEFL, Teaching English as a Foreigner Language). Estudou Media Studies na Goldsmiths University Of London e tem vasta experiência como Jornalista da área internacional, tradutora e professora de Inglês. Poliglota, já acompanhou a visita de vários presidentes estrangeiros ao Brasil. Morou e trabalhou 15 anos fora do país.